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Publicado em 22/09/2016

René Magritte

http://www.musee-magritte-museum.be/

Le Blanc Seing, 1965 by Rene Magritte

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The Pilgrim, 1966 by Rene Magritte

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The Lovers II, 1928 by Rene Magritte

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The Human Condition, 1933 by Rene Magritte

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The False Mirror, 1928 by Rene Magritte

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Golconda, 1953 by Rene Magritte

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Publicado em 22/09/2016

Não Brinque Com Sentimentos

 
Não sei o que falar
Só sentimentos a fluir
Só dor e pesar
Ao ver  você partir.

Não sei porque sinto
Não havia que esperar
Você a me amar ?
No entanto, sinto.

Esta ou aquela: uma escolha.
Este ou aquele: um caminho.
Feito pragas n’uma folha,
Hoje me encontro sozinho.

Do teu sorriso, privado,
Imagino o teu olhar,
Sonho com teu afago,
Só me resta sonhar…

Nada do que disse
Foi um jogo, fui verdadeiro.
O que tocasse, que sentisse,
Tocava a mim, primeiro.

Tão tênue sentimento,
Tão profunda raiz,
Não tem amor  valimento ?
Arranca-se num triz.

Coração sem comando,
Mente em desatino.
A dor vai guiando,
De encontro ao destino.

 

Reflexão a partir da Segunda Guerra Mundial, suas consequências e a bomba atômica.

ENOLA GAY (Fábio Brito)

 

Os valores humanos caem por terra,

Sucede-se, então, a guerra.

Da cobiça, do poder,

Impedindo novo amanhecer.

 

Nas trevas que, então, se faz,

Nas batalhas sucessivas tomba:

A esperança pela paz.

A imbecilidade, de nós, zomba.

 

Tristeza, depressão, fome.

De frente ao real se tromba.

Na origem do ocaso, sem nome,

Bestas acalentam a bomba.

 

xxxx

 

Num oceano atroz,

Mergulha o ser humano.

Aniquilando toda voz,

Que se põe de pé, ante o engano

 

xxxx

 

Exército de zumbis de apetite voraz,

Que devasta, invadindo o cotidiano.

Abate a esperança que agora jaz,

Completamente imersa no desengano.

 

 

AMANTE DA MORTE, SENHOR DA VIDA (Fábio Brito)

 

O tempo:

Nas folhas da vida,

Traça.

A vida, ao vento,

Passa.

 

Reflexão sobre como me aproximar de uma mulher que tenha despertado o interesse e iniciar um diálogo.

GALANTEIO (Fábio Brito)

 

Por gentileza,

Permita-me questionar.

Não, sem antes desejar,

Bom dia, nobre realeza.

 

Onze horas serão?

Se não, digo que me enganou.

Ao te ver, tive impressão

Ser a flor que desabrochou.

 

Agora, em exame atento,

Vejo espécime rara,

Da qual não se compara

A outra do conhecimento.

 

Ser abelha, meu desejo.

Em tua pétala pousar.

Mesmo num breve lampejo,

Sentir teu perfume exalar.

 

Teu pólen a coletar.

Tarefa que a contento,

Cumpro sem lamento,

Pra fino mel fabricar.

 

Tua essência ambiciono.

Teu amor como ninho.

Permanecer no abandono

De teu abraço e carinho.

 

 

 

 


Publicado em 21/09/2016

Meus (minhas) queridos (as), milagrosamente recuperei um livro de poesias que comecei a escrever quando tinha cerca de dezesseis anos, e me sinto muito feliz por isto. Já o dava por perdido.

É como se recuperasse um álbum de fotos, mas vai mais além.

É como se caminhasse ao encontro de um adolescente, de um homem entrando na fase adulta e pudesse relembrar da trajetória da pessoa que me tornei, isto é mágico.

Recordar-me de mim mesmo, do que senti, do que sofri e de todas as sensações que moldaram a pessoa que sou hoje.

Começo a dividir com vocês um pouco do que fui e que mostra um pouco da minha trajetória, espero que gostem.

Abraços.

 

A primeira poesia data do ano de 1986. Estávamos, então, dando nossos primeiros passos rumo à DEMOCRACIA, nada mais oportuno que começar com ela num momento em que parecemos caminhar para trás cerca de trinta anos.

 

 

LEGADO SOCIAL (Fábio Brito)

 

 

A corja da “high society”,

Vivendo em covis suntuosos,

Esquecem os Brasis tortuosos

Criados em seu benefício.

 

A fome e o sacrifício,

Realidade popular.

Não chegam a incomodar

Seus sorrisos vis.

 

São nesses Brasis,

De gente infeliz,

Onde invade a nação

O exército da solidão.

 

Desilusão armada,

Violência e desesperança.

Esta é a herança

À juventude mutilada.

 

Poesia, a fantástica arte da poesia, capaz de nos fazer sonhar, de elevar nossos espíritos, de nos cutucar e nos fazer enxergar que somos HUMANOS, de nos trazer alegrias e sorrisos onde o mundo está frio e cinza.

A poesia abaixo, se originou de um “bate boca poético” que me fascinou enormemente e que trazia o nosso grande Manuel Bandeira e o poeta baiano Jorge Medauar numa discussão maravilhosa! Antes, porém, aproveito a oportunidade de colocar os dois poetas que começaram esta pendenga. Divirtam-se.

 

Desencanto (Manuel Bandeira)

 

Eu faço versos como quem chora

De desalento, de desencanto

Fecha o meu livro se por agora

Não tens motivo nenhum de pranto

 

Meu verso é sangue, volúpia ardente

Tristeza esparsa, remorso vão

Dói-me nas veias amargo e quente

Cai gota a gota, do coração

 

E nesses versos de angústia roca

Assim dos lábios a vida corre

Deixando um acre sabor na boca

 

Eu faço versos como quem morre.

 

Esperança (Jorge Medauar)

Eu faço versos como quem luta
De armas em punho… de armas nas mãos…
Forma ao meu lado, pois na labuta
Os companheiros são como irmãos.

Meu verso é aço. Fornalha ardente…
Peito ou bigorna… Braço ou trator…
Corre entre o povo. Salgado e quente,
Cai gota a gota, por que é suor.

E nestes versos de luta ousada
Deixo a esperança que sempre tive
Nas tintas rubras da madrugada.

– Eu faço versos como quem vive.

 

A Jorge Medauar (Manuel Bandeira)

Há trint’anos (tanto corre

O tempo! escrevi a poesia

Onde disse que fazia

Meus versos como quem morre.

Ainda não eras nascido.

Agora, orgulhosamente

Moço, ao poeta velho e doente

Parodiaste destemido:

“Das batalhas em que estive

É o suor que em meu verso escorre!

Tu o fazes como quem morre:

Eu o faço como quem vive!”

Façam-no como quem morre

Ou quem vive, que ele viva!

Vive o que é belo e deriva

Da alma e para outra alma corre.

Verso que dele se prive,

Ai dele! Quem lhe socorre?

Nem Marx nem Deus! Ele morre.

Só o verso, com alma, vive.

Deste ou daquele pensar,

Esta me parece a reta,

A justa linha do poeta,

Poeta Jorge Medauar.

 

OUTRA RAZÃO (Fábio Brito)

 

Com o jovem Medauar,

Bandeira, um dia, ralhou.

Sobre como expressar

Os poemas que originou.

 

Um, os queria vivos,

Pro outro, a derradeira.

Ambos eram cativos

Da poesia verdadeira.

 

Pra surpresa nossa, então,

Um louco se envolveu.

Em tão rica discussão

Em seus borrões escreveu:

 

Se há vida nestes versos

Precisam se alimentar.

Está em seu universo

Nutrir-se em seu olhar.

 

Se da morte se aproximarem

Permitam, todavia, que vão

Além da vida a buscarem

Novamente outra razão.

 

E, por último, depois deste maravilhoso embate poético vamos terminar a sessão de lembranças do dia de hoje com uma brincadeira de palavras, porque afinal, nada melhor do que nos divertirmos com a língua, diga se não é???  rsrsrs

 

 

MENTE (Fábio Brito)

 

A mente

Amante.

Amantemente,

Ama o ente.

E sente,

Na cama,

Ardentemente.

A mente

Que emana,

Afetuosamente,

Amor.

Nós somos muito menores do que pensamos, mas podemos ter atitudes mais grandiosas do que se possa imaginar.

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