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A “Verdadeira” Crise que nos Atinge!

A tolerância e a argumentação sensata são as melhores formas de nos contrapor a um interlocutor fraco em suas ideias e que nos agride buscando nos humilhar. Respeitar um agressor não significa baixar a cabeça, significa não trairmos nossos princípios. A contraposição tem que estar no campo das ideias, sempre.

Fábio Brito.

 

É companheiro, devo concordar com você numa coisa, esta crise que está a nos atingir não é coisa pouca, mas, confesso, resolvi escrever esta carta porque não consigo ver como você e meus outros colegas, enxergam certas coisas.

Confesso que fiquei absolutamente assustado em perceber que, quase todos em nosso trabalho, pensam como você, e, embora não tenha podido debater com vocês a respeito do que se passa em nosso país, tenho que discordar das ideias fascistas que tenho escutado pelos corredores.

No entanto, não estou aqui para te julgar e, nem muito menos aos demais de nosso trabalho.

As ideias, com certeza, são fascistas, e, antes de isto representar um julgamento de qualquer um de vocês, como pessoas, é a constatação daquilo que o é, e não pode ser escondido, para que possamos conviver bem e sem problemas.

Meu espanto maior é que, apesar de serem ideias fascistas, não consigo enxergar em nenhum de nossos colegas, você incluso, pessoas que caibam no figurino de “pessoas fascistas”.

Me oponho, frontalmente, às ideias que vocês expõem todos os dias, mas não consigo ter o mesmo ânimo em me opor a nenhum de vocês, e isto me deixa confuso, o que está acontecendo?

O que temos de concreto? A inflação está alta? O desemprego cresce vertiginosamente? A corrupção nunca foi tão escancarada e num grau tão elevado e absurdo como nunca vimos antes?

Confesso que não tenho parâmetros sólidos para ter a certeza insofismável destas afirmações.

Ante ao meu espanto com relação às ideias fascistas, de pessoas que sei, tenho certeza, são pessoas de bem, apesar do pouco convívio que tenho com a equipe, fui tentar descobrir o que provocou, o que teria levado a cada um dos membros da equipe a ter um posicionamento tão diferente, a meu ver, do caráter de cada um.

Num dos textos que escrevi neste blog, existe uma afirmação muito interessante e que usei para representar a ideia de que, muitas vezes, mesmo não sendo, nós nos tornamos, devido a fatores diversos, o oposto daquilo que, verdadeiramente, somos: as pessoas que apoiavam Hitler, quando se olhavam ao espelho, não viam nenhum nazista lá.

Ouço falar que o Governo Federal está isolado, legal isto, estar isolado agora é argumento, no entanto, me pergunto, o que será que diriam quando era o Lula que estava à frente do governo e detinha índices de 86% de aprovação? E esta mesma Dilma, antes das jornadas de junho de 2013, (qual foram mesmo os motivos para elas terem existido?) detinha índices de aprovação de cerca de 70%?

Não acredito que possa ser possível, a quem quer que seja, mesmo a mais desatenta das pessoas, não perceber que, desde o dia em que saiu o resultado da eleição, no segundo turno das eleições de 2014, quando a Presidenta Dilma obteve 54.501.118 votos, o que representou o total de 51,64% dos votos, se trabalha diuturnamente para inviabilizar o seu governo e impedir que ela governe.

Eleiçao2014Presidenta

Quem poderia apresentar algum resultado positivo e rearrumar os rumos, sem que se tenha tido oportunidade para isto?

Dizer que não é GOLPE, claro que é, e para se ter a certeza disto basta se verificar, lá atrás, quantas foram as explicações para se justificar a intenção de não se deixar a Presidenta trabalhar e, por fim, se retirar ela de lá.

Seria preciso lembrar com quem as pessoas que desejam apear a presidenta do poder, se aliaram? Jair Bolsonaro e Eduardo Cunha, por exemplo?

Então, já de largada, não se pode argumentar que se pretende impichar a presidenta eleita, por causa de corrupção, não é verdade? Afinal, qual a acusação que recai contra a presidenta Dilma em relação à corrupção? Nenhuma, nada! Nem de Petrolão, Suiçalão, Roubo das Merendas das Crianças, Trensalão, HSBC Leaks ou Zelotes.

Curioso mesmo que, ao observarmos que mesmo não estando indiciada ou sequer, investigada em nenhum destes escândalos citados acima, o que se observa é que, justamente, as pessoas que buscam retirar a presidenta do poder é que estão citadas, investigadas e, algumas, indiciadas pela Justiça. Estranho, não lhe parece?

Mas o pedido de “impeachment” se refere a outras coisas, não é mesmo? São as pedaladas fiscais e os créditos suplementares, os tais “empréstimos”, que não teriam tido autorização da Câmara de Deputados.

A questão deste tipo de argumento é que, no ordenamento Jurídico, um dos pressupostos basilares é o de que não existe crime sem uma lei que o defina antes, o que significa dizer que, para a Presidenta Dilma estar passando por este processo agora, o TCU, ou o STF teria que ter provocado a jurisprudência em determinado momento, ou seja, se hoje o STF julgasse algum caso semelhante a estes da Dilma e entendesse que as ações praticadas não mais poderiam ser, sob pena de crime de responsabilidade, no ano seguinte, depois de publicado o acórdão, não se poderia mais recorrer ao expediente em questão no processo de agora, e que FHC e LULA se utilizaram dele, bem como diversos governadores o fazem no presente momento.

BrasilDoente

Outra questão, que salta aos olhos, é em como a nossa sociedade funciona, e quem ela visa privilegiar, que, aliás, é uma das formas que nos levam a agir e pensar contra a presidenta Dilma.

Ter RESPONSABILIDADE SOCIAL em cuidar de pessoas mais fragilizadas que a gente ao não deixar faltar o dinheiro necessário aos programas destinados a estas pessoas não pode, é crime, que tem que ser punido, indiscutivelmente, com a cassação dos 54 milhões de votos dos INDIGENTES que ela conseguiu. Nada mais rasteiro que este tipo de pensamento, me desculpe a sinceridade.

Os ricos e extremamente ricos, não tem do que se queixar. Criticamos o Bolsa Família porque estas pessoas tem que aprender a pescar, onde já se viu uma coisa destas, estas pessoas penduradas em nossos pescoços e nós tendo que sustentar estes “vagabundos”, que agora começaram a “parir um filho por ano para ganhar em cima da gente”.

Confesso que não tenho muito argumento se o nível da crítica for este, mas, circula na internet uma frase lapidar que serve de resposta a este tipo de pensamento: “Como explicar o Bolsa Família para pessoas que não sabem da existência da Lei Áurea?”

Ora, qualquer pessoa que trabalha em banco não pode dizer, minimamente, que não conhece os números de nossa economia, então, se nossa intenção é uma intenção honesta, por que não procurar saber qual o impacto direto de um programa como o Bolsa Família, na arrecadação do Governo Federal?

Enquanto o impacto do Bolsa Família representa 0,5% do que se arrecada, os rentistas abocanham 47,24%. Coisa pequena.

BolsaBanqueiro

O fato é que estamos acreditando que é normal e justo “expulsar” as pessoas de menor poder aquisitivo do banco, enviando elas para os correspondentes bancários como os Correios, lotéricas e rede cash, negando, de fato, atendimento a estas pessoas. Na outra ponta, atendemos clientes de bom poder aquisitivo, com banco em greve, antes de abrir a agência no horário programado e mesmo depois de fechado.

É normal isto? Será que este modo de agir não impacta em nossas ações diárias e nos fazem internalizar um preconceito adjacente contra estas pessoas “pobres” e seus defensores? Deveríamos pensar sobre isto.

Vivemos num mundo em que a competição é regra e você é levado a ser o vencedor. Geralmente, vemos opiniões de que “o segundo colocado é o primeiro derrotado”. Mesmo nos locais de trabalho mais civilizados, não podemos deixar de observar a filosofia capitalista dominante.

Roberto Justus e João Dória, são, para todos nós, pessoas de sucesso.

Gerdau e os irmão Marinho, da Globo, igualmente.

Será que damos a devida importância a uma denúncia de que o Grupo Gerdau pagou propina a fiscais da receita para sumirem com a dívida que tem com a Receita Federal? Achamos tão feio isto e, da mesma forma, como vemos uma “suspeita” difundida pela Rede Globo, contra o LULA, que não teria condições de comprar um barco de lata de R$ 4.000,00?

Aliás, qual o grau de credibilidade que reputamos à Rede Globo, depois que conhecemos o histórico de fraudes e crimes destas organizações criminosas que, inacreditavelmente, detém um poder fabuloso?

Vamos recordar alguns crimes da Globo?

Escândalo Proconsult;

Edição do debate de LULA X COLLOR em 89;

Escândalo TIME-LIFE;

Cobertura da Campanha das Diretas Já;

Sonegação de impostos da copa de 2012 com criação de empresa off shore para evitar pagar impostos;

Roubo dos documentos deste processo, para evitar pagar os impostos e as multas que ultrapassam o montante de R$ 1.000.000.000,00 (UM BILHÃO).

E, veja, nem falamos das fraudes cometidas em diversas matérias e reportagens cotidianas, a que somos submetidos, e que nem nos damos conta do grau de manipulação que se usa, para tentar nos fazer acreditar nas coisas mais absurdas e inacreditáveis.

Um pequeno exemplo disto do que falo, está aqui, neste mesmo blog, onde você pode observar o absurdo que é o que esta emissora faz, leia a matéria “Os 50 tons de GOLPE da GLOBO  e porque sua concessão tem que ser cassada já!!!”, e, ao final da matéria, veja a reportagem de 22 minutos sobre a Fome no Brasil, uma reportagem premiadíssima da Rede Globo. Tire suas próprias conclusões.

O que nos leva a ser quem somos? O que nos leva a agir e pensar o que pensamos?

O ambiente em que nascemos (cultura), a forma de organização da economia do lugar onde nascemos (sistema, capitalista ou socialista?), a filosofia, nossa família e as relações que estabelecemos, bem como amigos, acesso aos meios de comunicação, nosso caráter, escolas, nos ajudam a formar a pessoa quem somos e como agimos diante do mundo.

Muitas vezes não despertamos para aquilo que nos empurra para longe de nós mesmos, aceitamos fazer um trabalho que não gostamos muito, mas que precisamos para que paguemos nossas contas.

A convivência em sociedade também explica, um pouco, de como nos tornamos quem somos e como pensamos. Se frequentamos um clube, as pessoas com quem nos relacionamos lá, nos ajuda a formar um modelo de ação e pensamento.

Dificilmente iremos nos contrapor com a forma de pensar das pessoas, nos lugares que frequentamos, pois o desejo de aceitação e pertencimento, que é próprio de cada um de nós, nos impelirá, nos fará ver que, para pertencer a um grupo, precisamos comungar de uma maneira aproximada de agir.

O fato é que não devemos julgar ninguém, pois ninguém é só bondade, nem ninguém é só maldade, todos, indistintamente, tem dentro de si, a semente do bem e do mal, e, aquilo que nos define como sendo pessoas boas ou más, em parte, se refere a atenção que temos com as nossas atividades cotidianas, se refere a uma decisão nossa diante do que acreditamos ser importante e que nos fará escolher a uma das sementes, regar e cuidar da semente e da planta que ela irá se tornar.

Definitivamente devemos evitar que preconceitos tomem conta de nossos corações. Cada um de nós precisa um do outro e, sendo assim, devemos abrir nossos corações, para que somente as coisas boas estejam presentes em nossas ações.

A divergência de pensamento não deve, necessariamente, ser combatida, a diferença do outro, também nos ajuda a enriquecer o nosso próprio mundo e a nos tornarmos pessoas melhores.

A forma como imagino: Devemos ser os primeiros a questionar sobre tudo aquilo em que acreditamos e buscar melhorar, sempre. Este é um dos princípios da verdadeira Democracia, estar aberto a reconhecer que não somos donos da verdade e aceitar que, opiniões divergentes das nossas, podem ser melhores e aceitá-las, nos prontificando a implementá-las.

Continuo a me sentir em casa em Lages. As pessoas aqui são muito parecidas com as da Bahia, amistosas, brincalhonas, prestativas. No fundo, quando observamos o que é o principal e o que é detalhe, no relacionamento entre as pessoas, sabemos que a maneira de ser de cada um é muito maior e suplanta a forma de pensar e eventuais divergências que temos com as outras pessoas.

Sou obrigado a observar, portanto, que mais que uma crise real, econômica, passamos por uma crise ética, e de atenção das coisas que nos cercam e como elas funcionam. O nosso dia a dia, não tem nos permitido analisar com a profundidade, que se é merecida, os fatos e acontecimentos, nos levando a criar respostas superficiais a questões que são, de fato, mais profundas e exigem uma maior reflexão.

Criticar é muito fácil e acreditar que somos a pessoa certa num debate mais ainda, no entanto, temos que ter cuidado para não incorrermos nesta maneira de agir, pois se assim o fizermos, estaremos, apenas, nos colocando na platéia e estaremos a nos aplaudir efusivamente, enquanto passamos a desqualificar os nossos interlocutores, passando, por vezes, a fazer troça, chacota de suas opiniões, pelo simples fato que, tal pessoa, não concorda conosco.

E, o perigo disto acontecer é só um: já poderemos ter passado para o lado dos fascistas e nazistas e não nos aperceberemos disto, e, quando estivermos diante do espelho, estaremos a elogiar o fascista ou nazista que não identificamos em nosso próprio reflexo.

Para mim, o melhor amigo das ideias é um símbolo: “?”. Que coloquemos então a dúvida sempre à frente de nossas convicções. Questionar, é o melhor remédio para que não venhamos a nos colocar no lado errado da história e não venhamos a nos envergonhar do que fizemos ou deixamos de fazer.

A intolerância, que vivemos hoje, foi implantada recentemente nos corações e mentes dos brasileiros. Devemos nos atentar ao fato de que, quando recebemos uma bofetada, a reação imediata, é devolvê-la. Aqui neste espaço, tanto quanto em minha vida prática, tenho feito um esforço hercúleo de não cair nesta tentação, pois, quando revidamos uma agressão, mesmo que possamos sair desta refrega inteiros e o outro numa maca hospitalar, estaremos, por definitivo, derrotados, pois nos tornamos em um agressor igual a pessoa que nos agrediu primeiro.

Pensem nisto. Um abraço a todos e que Deus nos proteja nestes dias que virão e que nos dê muita sabedoria, para podermos acertar nas decisões que a vida está a nos cobrar.

 

F. B. – S. C.

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